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case 02

Bd'A: quando o rebranding vira diagnóstico

Direção de ArteArquitetura de InformaçãoAcessibilidade & AEO

2026 · publicado em 25 de agosto de 2026

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Bd'A — capa do projeto

O Bd'A é o estúdio de arquitetura do Ricardo Baddini, especializado em incorporação e desenvolvimento imobiliário. Ele me chamou para um rebranding: o estúdio completava dois anos e a marca precisava acompanhar o tamanho do trabalho que ele já entregava, com projetos para Even, Catuaí e Alta Diagnósticos no portfólio.

Entreguei o rebranding. E entreguei junto uma coisa que ninguém tinha pedido, porque ela apareceu antes de eu desenhar a primeira tela.

Como eu leio um site que já existe

Esse é o meu método de diagnóstico e ele tem uma ordem, que eu sigo em todo projeto.

Primeiro eu uso o site como quem chegou nele sem contexto, anotando o que é perceptível: erro visível, inconsistência de padrão, velocidade, arquitetura da informação. Depois rodo os testes de acessibilidade, à mão e com apoio de ferramenta. Só no fim eu abro o código.

O código vir por último é de propósito. Eu não sou desenvolvedora, e o que eu leio ali não é implementação: é label, nomenclatura, padrão de construção, a forma como o projeto foi montado. Se eu abrisse o código primeiro, eu chegaria na tela já contaminada por como aquilo foi feito, em vez de ver o que a pessoa do outro lado vê.

O que o diagnóstico achou

O site anterior vivia num construtor visual. A primeira medição já pregou uma peça: o Lighthouse do Google devolveu 92 de 100 em SEO. Passava com folga. Se a conversa parasse na nota, a conclusão seria que bastava trabalho de estética.

A nota mede a superfície. Ela confere se existe título, se existe link rastreável, se a tag está no lugar. Ela não abre a porta para ver se tem alguém em casa.

O que eu achei quando abri:

  • A página "Sobre" tinha o endereço /copia-home-1. Projetos era /copia-copia-home-1-1. Serviços, /copia-copia-home-1-2. Nomes que nascem sozinhos quando se duplica página dentro de um construtor.
  • A home tinha cinco títulos principais competindo entre si e depois pulava para subtítulo de quarto nível. Sobre e Serviços não tinham nenhum título. Um leitor de tela não monta índice de página nenhuma dessas.
  • A página de Projetos servia 83 imagens descritas pelo nome do arquivo: 1000037986.jpg, WhatsApp Image.... Quem enxerga vê os renders. Quem ouve a página escuta ruído.
  • Nenhuma das seis páginas marcava onde começa o conteúdo principal, e nenhuma tinha atalho para pular o menu. Quem navega só por teclado percorria a navegação inteira em toda página.
  • A descrição que aparece no resultado de busca estava vazia, não havia nenhum dado estruturado, e o mapa do site listava seis endereços, dos quais quatro eram cópias da home competindo com ela.

Levei isso para o Ricardo no meio de um projeto de marca. Ele ficou surpreso e me disse que não sabia que tudo aquilo importava num site.

Essa frase é o case inteiro. O trabalho que decide se um estúdio existe fora do Instagram é justamente o que não aparece numa reunião de aprovação de layout.

A decisão de auditar sem ter sido contratada para isso

O caminho confortável estava disponível: fazer o rebranding pedido, entregar bonito, seguir para o próximo projeto. O site continuaria invisível e ninguém na sala teria como saber.

Escolhi medir primeiro. Isso ampliou o escopo, alongou o cronograma e me colocou na posição de mostrar ao cliente o que estava ruim no site que era dele, antes de qualquer entrega minha estar na mesa.

Faço assim porque diagnóstico e rebranding respondem a perguntas diferentes. Marca nova resolve como o estúdio se apresenta para quem já chegou. Nada no rebranding resolve o fato de a pessoa não chegar.

A decisão de travar o lançamento porque a minha versão era pior num ponto

Essa é a decisão que eu menos gosto de contar e a mais útil de todas.

O primeiro rascunho do site novo já estava com a identidade aprovada e bonito na tela. As páginas de projeto, que são o núcleo do portfólio, se montavam dentro do navegador do visitante. Para quem abre o site, funcionava. Para um crawler que não executa JavaScript, e para boa parte dos robôs de IA, chegava uma casca vazia, sem título próprio, sem texto, sem dado nenhum.

Eu estaria trocando um site fraco e indexável por um site forte e invisível exatamente na página que vende.

Classifiquei isso como trava de lançamento no meu relatório de diagnóstico e não apontei o domínio até resolver. A saída foi colocar um gerador de páginas no meio do caminho: os dados dos projetos passam por ele e saem como HTML pronto, com título, texto e dados estruturados já no arquivo servido.

Isso tem um custo que eu carrego até hoje, e prefiro registrá-lo: o site era estático puro e passou a ter um passo de build. Toda vez que um dado de projeto muda, alguém precisa rodar aquele comando e publicar o resultado. Escolhi um custo de manutenção recorrente para não entregar um portfólio ilegível.

A decisão de não parar no 100 de acessibilidade

O teste automatizado do site novo marcou 100. Fui revisar na mão assim mesmo, e apareceram nove problemas.

O melhor deles: os contadores da seção do estúdio animavam de zero até o número final. Para quem configura o sistema pedindo menos animação, a animação não roda, e o número congelava no valor inicial. O site anunciava "+0 anos de experiência" justamente para a pessoa que pediu menos movimento.

Nenhuma ferramenta automatizada pega isso. Elas olham o código e dão pistas boas. Eu olho a tela com a percepção de quem está usando aquilo, e é por isso que revisão humana não é etapa opcional para mim, em avaliação nenhuma.

O que é sólido e o que é aposta na descoberta por IA

Essa separação é a parte do trabalho que eu faço questão de nomear, porque o mercado de AEO vende tudo com a mesma confiança.

O que é sólido: cada projeto virou uma página que existe no HTML servido, com título, texto e dados estruturados. O arquivo de regras do site libera explicitamente os robôs do ChatGPT, do Claude, do Perplexity e do Google. Os dados estruturados descrevem o estúdio, os serviços, cada obra e a autoria do Ricardo. As perguntas que um incorporador faz antes de contratar viraram uma seção de pergunta e resposta marcada como tal. Essa é a base que um buscador e um assistente conseguem ler e citar.

O que é aposta: o llms.txt, um resumo em texto limpo escrito para assistentes de IA. Publiquei sabendo que nenhum provedor se comprometeu a ler esse arquivo, e o Google declarou publicamente que não usa nem pretende usar. O que os robôs de IA de fato consomem é o HTML da página, que é justamente a parte sólida acima. O llms.txt entrou porque custa um arquivo e não atrapalha nada, e fica registrado no projeto como aposta barata, com esse nome, e não como motor de resultado.

O que mudou

Comparação medida em julho de 2026, entre o site que estava publicado e a nova versão, com o Lighthouse no desktop:

  • Acessibilidade: 79 → 100
  • SEO: 92 → 100

E as contagens de fundação, que são onde estava o espaço real de ganho e que nota de ferramenta não mede:

  • Páginas de projeto legíveis por buscador e por IA: 0 → 8
  • Tipos de dado estruturado no site: 0 → 6
  • Endereços úteis no mapa do site: 6 → 11, sem nenhuma página-cópia

O site está publicado em bdaarq.com.br. Conferindo hoje, cada página de projeto entrega título próprio, cabeçalho e dados estruturados direto no HTML servido, sem depender de nada rodar no navegador.

Crédito

As imagens e os textos dos projetos são do Ricardo, e a copy do site é a voz dele.

A curadoria do acervo, a arquitetura de informação e a direção de arte foram inteiramente minhas. O projeto foi executado ponta a ponta com apoio de IA: eu conduzi, e parte do que precisei no caminho foram ferramentas de qualidade e de teste que mandei criar durante o próprio projeto. Eu não escrevi o código.

O que eu levo

Diagnóstico antes de proposta mudou a natureza desse trabalho. O pedido era rebranding, e o rebranding sozinho teria deixado no ar um site bonito que ninguém encontra.

A parte que ninguém contrata explicitamente, títulos que fazem sentido, imagem descrita para quem não enxerga, página que existe antes do JavaScript rodar, é a mesma parte que responde por acessibilidade e por descoberta ao mesmo tempo. Aprendi nesse projeto a apresentar isso como uma coisa só, porque é assim que ela é.

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